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Cirurgia plástica em adolescentes: limites, cuidados e o debate reacendido por Rafa Justus

A realização de mais uma rinoplastia por Rafaella Justus, aos 16 anos, voltou a colocar em evidência um tema sensível: até que ponto adolescentes podem recorrer a cirurgias plásticas e quais são os critérios exigidos no Brasil. A influenciadora já havia passado por um procedimento anterior no nariz aos 14 anos, associado à correção de desvio de septo, além de uma cirurgia ortognática para ajustar a estrutura da mandíbula.

De acordo com especialistas, intervenções desse tipo não são proibidas para menores de idade, mas seguem protocolos rígidos que envolvem avaliação médica detalhada, análise emocional e respaldo legal.

Na prática, o primeiro passo é a consulta com o cirurgião plástico, que avalia tanto a queixa do paciente quanto a viabilidade do procedimento. Em adolescentes, esse processo exige atenção redobrada ao estágio de crescimento corporal, especialmente no caso de cirurgias faciais. Exames clínicos e laboratoriais fazem parte da rotina, e o suporte psicológico pode ser indicado em situações específicas.

Embora não exista uma idade mínima definida em lei para a realização de rinoplastia, a recomendação médica é aguardar o término quase completo do desenvolvimento facial — o que costuma ocorrer por volta dos 15 a 16 anos em meninas e um pouco mais tarde em meninos.

Outro ponto central é a finalidade da cirurgia. Procedimentos com caráter funcional, como a correção de dificuldades respiratórias, tendem a ser mais facilmente indicados. Já intervenções puramente estéticas exigem uma análise mais criteriosa, principalmente quando envolvem pacientes jovens. Em muitos casos, no entanto, os dois objetivos podem coexistir.

No âmbito jurídico, a decisão não cabe exclusivamente ao adolescente. A autorização dos responsáveis legais é obrigatória, mas deve ser acompanhada de um consentimento informado, no qual o médico detalha riscos, benefícios, limitações e cuidados no pós-operatório. Esse processo segue diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente e das normas éticas da medicina.

A maturidade emocional também pesa na decisão. Especialistas alertam para a influência das redes sociais e para a necessidade de alinhar expectativas com a realidade. Quando há sinais de pressão externa ou insatisfação desproporcional com a aparência, a avaliação psicológica pode ser determinante.

Além disso, o Judiciário pode intervir em situações consideradas de risco, especialmente se houver dúvidas sobre a real necessidade da cirurgia ou sobre o bem-estar do adolescente.

A exposição desses procedimentos na internet também levanta questionamentos. Médicos e clínicas devem agir com cautela para não ferir princípios éticos nem comprometer a privacidade de menores.

Por fim, vale destacar que cirurgias realizadas ainda na adolescência podem exigir ajustes futuros, já que o corpo continua em desenvolvimento. Ainda assim, quando todos os critérios são respeitados, os riscos tendem a ser baixos e comparáveis aos de pacientes adultos.